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domingo, 22 de dezembro de 2013

Um dia, quem sabe...

Está claro pra mim que os preparativos para a viagem não foram, nem de longe, um pé no saco. Até mesmo agora, com as malas já prontas, me recuso a me considerar a considerar a preparação "terminada". Estou sempre penso no que posso estar esquecendo, se algum documento não foi providenciado, ou alguma reserva não tenha sido confirmada. Melhor assim, tenho recordações ruins de quando relaxei demais e acabei esquecendo coisas óbvias.

O primeiro passo dessa viagem foi dado com uma boa antecedência: a decisão de viajar aconteceu ainda em outubro. Foram algumas semanas ponderando se iria mesmo fazer isso, sair de Porto Alegre dirigindo por quase 3mil km, até San Pedro do Atacama.
Ou talvez tenha sido quase um ano antes esse "primeiro passo". Quem sabe? San Pedro apareceu no meu radar pela primeira vez há muito mais tempo que três meses. O colega Gabriel Pontes, a quem conheci em um curso de cinema aqui em Poa (do crítico e diretor do portal Cinema em Cena, Pablo Villaça) visitou o Atacama, acredito que no ano passado e postou várias fotos. Imediatamente me interessei pelo lugar, já o colocando na lista dos que "um dia, quem sabe, irei visitar". Não sei a lista de vocês, mas a minha normalmente fica esquecida em algum lugar empoeirado do cérebro (porque escrita mesmo ela não existe). E lá ficou até uma conversa banal no trabalho.

A partir desse ponto o "destino" entrou em ação, me levando à inexorável decisão de ir até o Deserto:
desde que me mudei para Porto Alegre passo Natal e Reveillon em Fortaleza, com minha família. Quem viaja para cidades do Nordeste essa época do ano sabe que um pulmão ou um rim é o preço comum das passagens aéreas. Nos anos anteriores, por negligência, falta de planejamento, ou loucura mesmo, sempre falhei em me planejar e comprar os bilhetes com antecedência necessária, o que seria no mínimo três meses. Ano passado a experiência foi mais que trágica. Escapei por muito pouco de pagar 5mil reais em um vôo Poa-Fortaleza, mas a passagem ainda saiu por um preço alto. 
Decidido a fazer diferente em 2013, em outubro comecei a procurar passagens e, para minha surpresa, já estavam em preços impraticáveis. Passar o Natal aqui se tornou uma possibilidade real. Depressivamente real. Uma conversa à mesa do café, porém, ocorrida numa tarde de trabalho, me colocou no caminho do Paso de Jama: um amigo de serviço público comentou que iria até Ushuaia, capital da Província da Terra do Fogo em janeiro, também de carro. Naquele momento a tal lista "um dia, quem sabe, irei visitar", me deu um tapa na cara. "O Atacama é logo aí", dizia uma voz na minha cabeça, "por que não ir até lá no Natal? Aposto que será mais barato que as passagens para Fortaleza". Foi amor ao primeiro sussurro. Sem oposição, me deixei inebriar pela idéia e quando ficou claro que os custos seriam pelo menos os mesmos, se não maiores eu já não me importava com mais nada. As fotos do céu do Atacama me arrebataram de um jeito que durante muito tempo foi tudo que consegui pensar.

Esse arrebatamento veio, porém, em ótimo momento. A última vez que estive em Fortaleza foi em setembro, por 4 dias somente, e a idéia de passar o Natal em Porto Alegre não era das melhores. Ter um objetivo, qualquer que fosse, já seria suficiente para ocupar minha cabeça. Ter um objetivo desses, me levou para o outro lado da escala. Planejar a própria viagem é trabalhoso, mas com um pouco de pesquisa e ajuda, não é nenhuma tarefa impossível, apesar de cansativa às vezes. A recompensa, porém, é imediata: estando tudo em suas mãos, a viagem começa imediatamente. O primeiro passo "oficial" é dado (no meu caso, reservar o primeiro hotel) e você pensa "vai acontecer, é real". Se permitir sonhar nesses momentos é tudo que alguém precisa para acabar com qualquer cansaço ou contratempo. E dado o primeiro passo, você passa a exigir mais de si. "Não vim até aqui para desistir agora", diria a música dos Engenheiros do Hawaii.

Desistir? "Um dia, quem sabe", depois ou da próxima vez. Agora, não é mais uma opção.

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